“Dançar pode mudar a maneira como você pensa”, diz o pesquisador britânico Peter Lovatt

O corpoessencia.com fez a tradução da entrevista dada por Peter Lovatt ao jornal inglês The Guardian.

Leia abaixo:

Por: Ian Tucker

Peter Lovatt é chefe do Laboratório de Psicologia da Dança na Universidade de Hertfordshire desde que foi fundado em 2008. Antes disso, ele treinou balé, sapateado e jazz e trabalhou como dançarino profissional.

Como a dança pode mudar a forma das pessoas pensarem?

Nós temos tido pessoas no laboratório dançando e então fazendo resolução de problemas – e diferentes tipos de dança ajudam-nas na resolução de diferentes tipos de problemas. Nós sabemos que quando as pessoas se envolvem em estilos de dança improvisados isso as ajuda com pensamentos divergentes – quando existem várias respostas para um problema. Enquanto que a prática de danças muito estruturadas ajudam-nas no pensamento convergente – tentando encontrar uma única resposta para um problema.

Você tem estudado os efeitos da dança em pessoas com “Mal de Parkinson”…

Sim, nós sabemos que quando o mal de Parkinson se desenvolve, pode levar a uma perturbação no processos de pensamentos divergentes. Então pensamos que se usássemos a dança improvisada com um grupo (que sofre de Parkinson) nós poderíamos observar uma melhora em suas habilidades de pensamento divergente, e foi exatamente o que nós observamos.

Agora nós gostaríamos de estudar o que há a respeito da dança como uma intervenção que tem um impacto no processamento neural. Uma possibilidade é que quando eles dançam, eles estão desenvolvendo novos atalhos neurais para contornar os bloqueios de esgotamento de dopamina.

De que outras maneiras a dança pode mudar como nós pensamos?

Tem havido muitos artigos/estudos observando a auto-estima de dançarinas de balé durante os treinos – e o que eles tem encontrado é que aquelas garotas no meio da adolescência tem a auto-estima significativamente mais baixa que as garotas que não dançam balé. Há duas explicações para isso. Uma seria que aquelas garotas com baixa auto-estima escolhem o balé clássico porque a luta esforçosa pela perfeição reforça/fortacele (reinforces) a sua auto-imagem ruim. Outra teoria diz que a subcultura dos treinamentos de balé pode ser muito desgastante para a auto-estima de uma garota jovem porque a todo momento elas ouvem que não estão fazendo direito e que a questão da forma do corpo é muito importante no balé clássico.

Qual explicação você acha que está correta?

Nós estamos tentando testar essas duas hipóteses no laboratório comparando os dados de 600 dançarinos em diferentes grupos de dança. Estamos observando coisas como comparar dançarinas de balé clássico com dançarinas clássicas indianas – as últimas não tem de vestir roupas justas e coladas durante os treinos. Estamos comparando-as também com dançarinas burlescas que são muito felizes em mostrar um corpo mais cheio. Se for o caso de meninas com baixa auto-estima escolherem balé, não há muito que possamos fazer sobre isso. Mas se a subcultura de balé clássico pode levar a distúrbios alimentares e a se auto-prejudicarem, então isso é algo muito importante que devemos estar sinalizando.

Há algum estilo de dança que é bom para a auto-estima?

Qualquer um onde haja um alto grau de tolerância por não fazer do jeito certo. Coisas como as danças do ceilidh (evento tradicional escocês) as pessoas riem muito, e elas são adultas e está tudo absolutamente bem. É maravilhoso. Alguns estudos tem encontrado que dançar com as largas vestimentas do “jazz” é melhor do que as roupas justas e apertadas para a auto-estima das dançarinas.

Confira o texto, de 2011, na íntegra: https://www.theguardian.com/technology/2011/jul/31/peter-lovatt-dance-problem-solving

Foto: https://robertsonmurray.com/portfolio-item/peter-lovatt

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